Púrpura secreta

Quarta-feira, Setembro 29, 2004




Não me sabia famoso ao ponto de ter o meu blog copiado!!


http://purpurassecreta.blogspot.com/




A diferença está no endereço - no traço (underscore em português)

Este gato agradece à blogosfera lusa, a alguma brasileira, e em geral a todos os cidadãos do mundo a preocupação com os plágios deste vosso humilde servo. Obrigada pelos milhares de mails de apoio, obrigada à sic e ao tal e qual a chamada de atenção de todos os portugueses para tão vil imitação de um ser tão original como eu.
Quê, Odie? Achas que ponha aqui o nome do blogger que fez isto? Nem penses, não reparto a minha fama com ninguem! Cão mais parvo este Odie!

Segunda-feira, Setembro 27, 2004

Encontramo-nos em Bombaim

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Despedi-me assim dela, como se estivéssemos a combinar o próximo encontro e nos fossemos mesmo encontrar.
Fiquei encantada com a descrição feita de Goa, a beleza da terra, os costumes, a qualidade de vida. Se lá for tente ficar uns meses, alugue uma casa. Quem me dera suspender as amarras, deixar o mundo parado no tempo e (part)ir. Quem me dera.
Ela tem uma beleza serena e forte de morena bonita. Ele, europeu, conheceu-a quando visitou Goa pela primeira vez e não a deixou fugir. Nem a ela nem a Goa. Percorreram o mundo de mãos dadas e com o futuro na mira, num caminho que dura até hoje. Sente-se-lhes a paixão que os contrastes concebem e a empatia da educação e dos princípios comuns, ambos estudaram e trabalharam em vários lugares do mundo. O mundo é um lugar, vários lugares. E foi em Goa que tudo começou. Vá lá um dia, dizem-me ambos. A viagem é longa, faz escala em Frankfurt, depois em Bombaim, mas a seguir é voo directo até Goa.
Ele tem o porte e a simplicidade de um gentleman, e a vivacidade de alguém que é feliz. O olhar brilha-lhe quando olha para ela e para as viagens que fizeram juntos, para a viagem que vão fazer em breve, uma vez mais, até Goa. Um dia longe será aí que a viagem terminará.
Foi um prazer conhecê-los, disse eu. Encontramo-nos em Bombaim, rematou ela com um sorriso.

Sábado, Setembro 25, 2004

movimentos de esperança

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Lembro-me de há bastante tempo ter lido na Visão um artigo sobre o neurologista português Carlos Tavares, a propósito da descoberta e desenvolvimento de uma técnica pioneira para tratar lesões da medula. Tanto quanto os meus conhecimentos de leiga me permitem entender, e não pretendendo alongar-me ou dispersar-me em termos técnicos, a recuperação de parte da sensibilidade dos movimentos do corpo, atingida pelo seccionamento da espinal medula, por exemplo num acidente de viação, é feita através do transplante de células da mucosa olfactiva, que, por possuirem determinadas propriedades estudadas e descobertas por este médico do Hospital Egas Moniz, têm o efeito de restabelecer a ligação entre os neurónios e/ou as células; falta-me a terminologia exacta para tentar transmitir a ideia com que fiquei, mas trata-se de um progresso admirável e que nos enche de orgulho e, também, de uma muito cautelosa esperança para as pessoas vítimas de paraplegia e tetraplegia. Não sei se a todos os lesionados da medula espinal pode ser aplicado este tratamento, que consiste basicamente numa cirurgia de transplante, não sei os custos, nem a que ponto a mobilidade e o controlo dos movimentos são recuperada. Sei que em todos os doentes operados se verificou recuperação de alguma sensibilidade e controlo motor. Num país como o nosso, triste rescordista de mortos e acidentados graves na estrada, esta esperança é encorajadora e feliz. São coisas como estas que me deixam deslumbrada com as infinitas possibilidades da ciência e orgulhosa dos nossos investigadores.

Foi também na Visão de uma semana de Agosto passado que tomei conhecimento que Carlos Tavares teve honras de destaque no programa de Larry King, exactamente pelo pioneirismo da investigação e dos resultados alcançados e que em breve iniciará nos EUA as diligências no sentido de aí validar a sua técnica.
Roubo as palavras ao repórter da Visão para dar o título a este texto e para o terminar: Trata-se de verdadeiros Movimentos de esperança.

a senhora que se segue

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Sai uma rititi fresquinha e uns tremoços para acompanhar a leitura do DN. Aqui está a interactividade blogs/jornais no seu melhor. Sexta feira passada, a estreia.
Parabéns :)

um gato absolutamente notável



O gato é cá dos meus. Rezava assim o rom rom a propósito da clonagem do seu próprio blog: Falem mal, falem bem, mas falem de mim!

Quem mia assim só pode ser gato:)


Quarta-feira, Setembro 22, 2004

interactividade entre a blogosfera e a imprensa

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Via foguetabraze encontrei um artigo de Pacheco Pereira, publicada no Público de 16 de Setembro, que é particularmente pertinente numa altura em que se assiste à forte interacção existente entre a imprensa escrita e os blogs - veja-se a título de exemplo o destaque que o Tal e Qual na sua edição de 17 de Setembro deu ao Do Portugal Profundo e a notícia dada em primeira mão no mesmo blog e de que o Público aproveitou para fazer manchete, referente às ligações do juíz Varges Gomes ao PS que levantaram a lebre da suspeição sobre a sua imparcialidade no processo Casa Pia.
É um mundo enriquecedor este dos blogs, atento, pleno de aprendizagens, discussões e afinal, luz.


(Segue o artigo na íntegra)

Media-esfera, Blogosfera e Atmosfera
Por JOSÉ PACHECO PEREIRA
Quinta-feira, 16 de Setembro de 2004

Há cerca de um ano, escrevi sobre os blogues no PÚBLICO, coincidindo com a sua descoberta por um público mais vasto. Houve, em seguida, o habitual surto de breve fama, centenas de blogues foram criados e dezenas de artigos mais ou menos apressados, mais ou menos informados, foram publicados. Tudo quanto era órgão de comunicação social publicou pelo menos um artigo sobre os blogues. Depois os blogues passaram de moda, muitos dos blogues criados desapareceram, embora a "audiência" global dos blogues tenha aumentado significativamente, mantendo-se esse efeito até hoje. É altura de fazer um balanço deste novo tipo de publicação electrónica.

A blogosfera portuguesa mudou muito durante este ano, deixou de ser constituída por um pequeno grupo pioneiro, que a usava quase como um "espaço íntimo", para se tornar, de um dia para o outro (a rapidez é uma característica do meio), mais agressiva, politizada no mau sentido, ressentida e implicativa. Mas essa fase também já passou e o melhor dos primeiros tempos "íntimos" e o melhor da fase de democratização da blogosfera permaneceram. Cerca de 20 a 30 blogues portugueses fornecem todos os dias novas ideias, reflexões, informações, que um cidadão avisado e culto não deve perder.

Não tenho nenhumas dúvidas de que os blogues vieram para ficar, enquanto a evolução tecnológica não permitir a migração do que hoje se pode fazer num blogue para outra plataforma mais eficaz e superior. Enquanto tal, uma revolução está em curso, principalmente no âmbito do sistema comunicacional, e, a partir daí, afectando os sistemas que lhe são próximos: a política nacional e local, a crítica literária e artística, a divulgação científica, entre outros.

Nenhuma análise hoje do estado da comunicação social em qualquer país onde existe um sistema mediático - jornais, rádios, televisões - pode ser feita sem incluir os blogues. Veja-se o recente caso americano: dois blogues (Power Line e Little Green Footballs) contestaram a autenticidade dos documentos sobre o serviço militar de George Bush, que o prestigiado Dan Rather tinha divulgado no influente programa 60 Minutos da poderosa CBS. Prestigiado, influente, poderoso. Os documentos faziam imensos estragos na imagem de Bush, mostrando a existência de cunhas e tentativas de alterar os relatórios sobre a sua capacidade como piloto. Foram tratados pelos grandes media americanos como uma notícia de primeiríssima página, capaz de alterar a vantagem que Bush obtivera nas sondagens sobre Kerry, em suma, capazes de definir a contenda eleitoral. Os dois blogues, logo seguidos por muitos outros, analisaram os documentos e começaram a levantar questões: nenhuma máquina de escrever, à data putativa dos memorandos, era capaz de manter aquela ordem de espaços entre as letras, sobrepondo-se as mesmas frases escritas com o processador de texto Word sobre o texto antigo, não havia discrepâncias, etc., etc.

Outros blogues levantaram questões de conteúdo - um militar não colocaria aquelas questões no papel, havia uma discrepância entre a linguagem e a forma de outros memorandos do mesmo militar (que já morreu) e os apresentados pela CBS, etc. Outros blogues refutaram que houvesse falsificações e a CBS disse que tinha feito analisar os documentos por vários grafólogos. Foi só uma questão de tempo até que o assunto chegasse à grande imprensa, ao "Washington Post", que tem outros meios de investigação, e as dúvidas sobre a autenticidade cresceram. Analistas e grafólogos mostraram que não havia a unanimidade que a CBS garantia e toda uma nova série de investigações e depoimentos aprofundaram as dúvidas. A questão está em aberto, mas a controvérsia só existiu porque existem blogues e a Internet lhes dá uma audiência universal.

Em Portugal, o mesmo já se passa hoje. Excluam-se os blogues e a comunicação social seria diferente. Não porque os blogues sejam lidos por muita gente, mas sim porque são lidos pela gente certa. Os blogues são escritos por uma elite para uma elite, são escritos por estudantes, literatos, políticos, cientistas, investigadores, jornalistas, na maioria dos casos jovens e no início de carreira, e são lidos pelos mesmos grupos sociais e profissionais dos que os escrevem. Um grupo tem relevo especial neste ecossistema que é a blogosfera: são os jornalistas.

Os jornalistas, principalmente da imprensa escrita, vão hoje buscar imensa coisa aos blogues, umas vezes citam, outras não, e os leitores dos jornais desconhecem a importância dessa contribuição. Ainda recentemente uma notícia de primeira página do PÚBLICO teve origem num blogue. O jornal demorou uns dias a referir a fonte, mas depois fê-lo quando por todo o lado na blogosfera havia protestos. Num blogue, essa ausência de citação seria impossível porque a cultura do hipertexto torna a citação do outro um elemento identitário da blogosfera.

Ideias, frases e factos circulam na blogosfera e, quando verificados, dão ao resto da comunicação social uma dimensão complementar - mais memória, mais conhecimento especializado, mais variedade de temas, novos ângulos de aproximação a um assunto, mais imaginação, maior cobertura regional através de blogues locais. Uma leitura a fundo dos blogues locais poderia suprir muitas deficiências resultantes da ausência de correspondentes locais e revelar histórias bem interessantes. A verificação é fundamental, dado que há textos ficcionais, construções e pastiches que já enganaram alguns jornalistas (e autores de blogues) como sendo verdadeiros, dando origem a alguns embaraços. Há muito lixo, como é da natureza democrática e não editada da rede, mas há também muita coisa boa.

Querem exemplos, dos últimos dias, de questões umas pertinentes, outras testemunhais, outras curiosas? Por que razão os jornalistas, que são tão activos na "transparência" foram tão parcos em nos relatar a cerimónia maçónica nos funerais do presidente do Tribunal Constitucional? Quem lá esteve? Alguém tentou fotografar? Novas do interior dos concertos de Madonna por quem assistiu, pequenos detalhes saborosos. Teorias conspirativas sobre as saídas dos administradores da CGD com algum inside trading. Como é que se come (mal) nos aviões da TAP. Críticas aos números usados por António Barreto nos artigos do PÚBLICO sobre educação. A informação de que ainda está disponível nas livrarias um livro de Hayek, supostamente esgotado. Testemunhos de levar as "encomendinhas" à escola por jovens pais e mães. Desmontagens várias do spin governamental, com exemplos para se perceber muito bem como funciona a "central de informações" e, de passagem, muito incómodos para os jornalistas que lhe dão ouvidos e caneta. Notas críticas da UE, da Constituição europeia, que quase não existem na grande imprensa, toda "europeísta". Por aí adiante.

Esta circulação rica e diversificada, em tempo quase real, constrói um tecido mais complexo à volta de notícias e interpretações e, em consequência, resulta muito crítica dos media tradicionais. É nos blogues, e na sua diversidade política e cultural, que se encontram as críticas muito duras à manipulação informativa que são impossíveis de fazer nos media. Estes são muito pouco sensíveis às críticas, quando não arrogantes, e os jornalistas não são exemplares na abertura ao escrutínio das suas práticas profissionais. Os noticiários manipulados de Rádio Bagdad (o petit nom da TSF) ou as críticas às fabulosas "análises" políticas de Luís Delgado são o "pão nosso de cada dia" nos blogues, e merecem ser lidas porque não são invectivas genéricas - têm exemplos que deviam incomodar todos, e, a prazo, incomodam cada vez mais.

Claro que os blogues estão longe de ser apenas um órgão de "jornalismo informal", como Mário Mesquita lhes chamou, e incluem outras dimensões que podem ter um carácter literário, sociológico e mesmo científico, como instrumentos de investigação. Penso, aliás, que as virtualidades literárias e estéticas da fórmula "diário-em-linha", em conjugação com inovações tecnológicas do software como o MyLifeBits da Microsoft podem vir a permitir novas formas de criação estética. Mas, a curto prazo, tem sido o efeito na media-esfera o de maior impacto.

Terça-feira, Setembro 21, 2004




American Girl in Italy, 1951
Ruth Orkin


expressões idiomaticas

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Morde aqui a ver se eu deixo


(expressão idiomática usada normalmente para dedicar a anónimos sem nome cujo maior prazer é olhar para o seu próprio umbigo desproporcionado e cujo anonimato não mancha os seus blogs kitsch de luxe)

uma mulher de armas, a Filomena

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Recebi hoje notícias da Filomena, concretas e estimulantes, para ela e para a família e até para mim que lhe desejo toda a sorte do mundo. Não falarei de pormenores que fariam deste texto um diário cronológico de pequenos e muito importantes factos e que não acrescentariam nada ao essencial, que é a coragem e a força de batalhar pela vida, pela autonomia financeira, pela rejeição da dependência e caridade alheia (Não gosto da palavra caridade, prefiro sempre a solidariedade, que é a minha forma de sentir e de me identificar).
A Filomena está a abraçar com entusiasmo um projecto de trabalho adequado às suas limitações e que vai de encontro aos seus sonhos e, estes, os sonhos, superam, empurrados pela força de vontade da vida, aquelas, que são também, sobretudo, desafios.
Falta ainda tanto, Filomena, mas pense no que já conseguiu. O conhecimento por parte da comunicação social, da televisão, das muitas pessoas anónimas que se solidarizaram consigo e lhe dão apoio, e às vezes, como temos falado, o apoio é também a palavra amiga, o mimo que dá força.
Daqui vai um mimo grande e a minha admiração por si.

Sábado, Setembro 18, 2004

mirada



Heavenly Kiss
by Emanuel Dimitri Volakis



Con toda palabra
con toda sonrisa
con toda mirada
con toda caricia

Me acerco al agua
bebiendo tu beso
la luz de tu cara
la luz de tu cuerpo

es ruego el quererte
es canto de mudo
mirada de ciego
secreto desnudo

me entrego a tus brazos
cin miedo e con calma
y un ruego en la boca
y un ruego en el alma



(Lhasa de Sela)

Sexta-feira, Setembro 17, 2004


(Ruth Orkin)


Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso.

(Clarice Lispector)

Quinta-feira, Setembro 16, 2004

um novo ano, um novo mundo

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Nas crónicas matinais desejou-se ontem um novo ano feliz, não só aos judeus como a todos os seres humanos: é uma celebração para todos os seres na terra, diz a Ana.
O ecumenismo, a tolerância e o respeito pelo outro, dentro do espírito da Declaração dos Direitos do Homem são das maiores manifestações de civilização que conheço e é por isso um prazer e uma descoberta bem vinda guardar as aprendizagens, os sentires, os conceitos de vida de outras religiões e realidades e aproveitar deles o que me seduz no que já sou, recriando continuamente um mundo íntimo e global que se torna parte do que ainda vou ser.

Quarta-feira, Setembro 15, 2004

o que são segredos?

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I tell you all my secrets
but I lie about my past.


(Tom Waits)

Terça-feira, Setembro 14, 2004

falar de casos concretos - a Filomena

Oiço e leio quem me diz que o relato da situação feita pelo 24 horas sobre a situação da Filomena Moreira é alarmista. Concordo. Quando li a frase 'só lhes resta esperar pela morte', pensei, foi forte. Ao mesmo tempo, tendo conhecido a Filomena e as condições precárias em que vive, devido à doença e às dificuldades financeiras, sei que a situação da Filomena é sobretudo alarmante (para ela e para a família). É por isso que entendo a emoção da jornalista que a levou a escrever aquela expressão, que se refere ao caso da Filomena e não à doença de Chron em geral , embora eu queira acreditar e acredito! que para a Filomena haverá solução, mas isto resulta da fé interior que sinto, pois desconheço os contornos específicos deste caso em particular. De alguma pesquisa que tenho feito sobre esta doença apercebo-me que é extremamente variável a evolução de indivíduo para indivíduo. Que é de difícil diagnóstico. Que não tem cura. Que é no entanto controlável sobretudo se as coisas não tiverem avançado muito. Dizem que a ansiedade é das piores coisas para agravar os sintomas e as consequências da doença de Crhon. E a Filomena anda ansiosa pela forma como algumas pessoas a têm abordado via email ou telefone. Devido à onda de suspeição generalizada por alguns relativamente a casos publicitados pela net, há quem quase a ponha em causa e à doença que tem. Ah, mas a minha prima também tem Chron e está muito bem!, como se não soubessem (porventura não sabem) que cada caso é sui generis. A quem me pergunta sobre a doença da Filomena só posso responder que sei o que todos sabem, pois ela expôs a sua intimidade a todos quantos leram o seu apelo. Deixou a morada e o telefone por esta net. Eu utilizei ambos e ela abriu-me a casa e o coração. Beijei os seus filhos, conheci a sua família unida. Por isso não acho de nenhuma justeza que alguém, seja quem for, duvide por duvidar, quando duvidar significa pôr em causa o sofrimento e as opções tomadas sem fazer um esforço de as tentar perceber e ao seu enquadramento. Passar o mail é ajudar. Entre tantos de nós, alguma coisa se há-de conseguir. Sobretudo para que não se perca a casa, único bem material da família, hipotecado pela doença.

E para a Filomena segue daqui um abraço apertado.

amazing pregnancy

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Via Ma-Shamba, através do terra da alegria e finalmente aportando em Partículas Elementares, cheguei a este amazing site ...

Segunda-feira, Setembro 13, 2004

a floresta branca do espanto

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José Gomes Ferreira, nas páginas iniciais do seu Aventuras de João Sem Medo solta uma frase lapidar, um aviso para os que querem entrar na Floresta Branca da história:

É proibida a entrada
a quem não andar
espantado de existir




Eu não cesso de me espantar com a natureza humana, a minha incluída.


Marlon Brando ,1950
on the set of "Julius Caesar"



(Ruth Orkin)

olympics

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If sex was an olympic game
we woud have won the gold


(Ute Lemper, the case continues)

Sábado, Setembro 11, 2004



(Maurício Lhamas)

José Hierro

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Resposta


Quisera que me entendesses sem palavras.
Falar-te sem palavras, como se fala à minha gente.
Que a mim me entendesses sem palavras
como eu entendo o mar ou a brisa enlaçada num álamo verde.

Perguntas-me, amigo, e não sei responder-te;
há muito que aprendi fundas razões que não entendes.
Revelá-las quisera, pondo o sol invisível em meus olhos,
a paixão com que a terra doura seus frutos ardentes.

Perguntas-me, amigo, e não sei a resposta que hei-de dar-te.
Sinto arder louca alegria nesta luz que me envolve.
Quisera que a sentisses também a inundar-te a alma,
quisera que a ti, no mais fundo, também te queimasse e te ferisse.
Criatura também de alegria eu quisera que fosses,
criatura que chega por fim a vencer a tristeza e a morte.

Se agora eu te dissesse que havia de andar por cidades perdidas
e chorar em suas ruas escuras por se sentir débil,
e cantar sob uma árvore de estio os teus sonhos sombrios,
e sentir-te feito de ar e nuvem e erva muito verde...

Se agora eu te dissesse
que é tua vida essa rocha em que as ondas se quebram,
a própria flor que vibra e se enche de azul sob o claro nordeste,
aquele homem que vai pelo campo nocturno com uma tocha,
o menino que açoita o mar com a mão inocente...

Se eu te dissesse, meu amigo, estas coisas,
que fogo porias em minha boca, que ferro incandescente,
que odores, cores, sabores, contactos, rumores?
E como saber se me entendes?
Como entrar em tua alma, quebrando o seu gelo?
Como fazer-te sentir a morte vencida para sempre?
Como penetrar em teu inverno, levar o luar à tua noite,
Pôr em tua escura tristeza labaredas celestes?

Sem palavras, amigo; tinha que ser sem palavras
para tu me entenderes.



(José Hierro)

Sexta-feira, Setembro 10, 2004

a peça sobre Filomena Moreira no 24 horas de hoje

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Saiu hoje no jornal 24 horas a peça escrita pela jornalista Sofia Cação sobre o caso Filomena. Apesar de não ser parte interessada, obrigada Sofia pela forma sensível e incisiva como tratou o tema.

amigos de sempre



Friends, 1948


(Ruth Orkin)


Num livro que me deste, escreveste em jeito de dedicatória: Para a . , numa amizade sem tempo. Assinaste e assim ficou. Não é preciso pôr data, disseste depois, a amizade que temos está fora do tempo.
Calei-me. Foi a declaração mais bela que me fizeram.

Quinta-feira, Setembro 09, 2004

Aristides de Sousa Mendes

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Através de uma notícia no Público tomei conhecimento de um colóquio "Os Judeus em Portugal, hoje", que está a decorrer em Lisboa e que se debruça sobre questões como as inúmeras teias burocráticas em que os judeus se viram enredados durante os anos do Estado Novo (A burocracia continua neste cantinho, deve ser herança da ditadura). As formalidades da sua entrada no território português, fugindo do nazismo, resultavam do critério de cada funcionário, à toa dentro do vazio legal existente.
Contrariando a política de neutralidade de Portugal na guerra, destacou-se em Bordéus um notável diplomata português que desafiou o status quo e providenciou vistos para os fugitivos judeus ajudando por essa via milhares deles a escapar às garras certas do horror.
Há anos que me seduz a leitura a-fazer de uma das suas biografias, a história de um homem invulgar cheia de episódios marcados por uma imensa humanidade. Apesar disso ou por isso mesmo Aristides de Sousa Mendes foi castigado pelo regime e só postumamente lhe foi reconhecido o mérito e a infatigável generosidade.
Num país como o nosso em que a notoriedade vem da participação em reality-shows e se distribuem comendas à la vontade do freguês, seria no mínimo cívico redefinir as prioridades, invocar a história e dar o devido reconhecimento público a alguém que lutou contra o preconceito, enfrentando um país em guerra e o seu próprio país neutral, que, recompensando-o, lhe ofereceu um pedagógico castigo pela desobediência.



Jewish Refugees
Tel Aviv, Israel, 1951


(Ruth Orkin)

Terça-feira, Setembro 07, 2004

on waves ou no lar

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Há coisas que não entendo bem. Se a clínica on waves queria ajudar as mulheres portuguesas evitando que se deslocassem a Espanha para fazer um aborto, como é que tira agora da cartola a solução de que os abortos se podem fazer em Portugal, em casa, no lar doce lar, pois existe medicamentação para o efeito à venda?
Pretendeu-se (?) ajudar as mulheres, colocando à sua disposição uma clínica em alto mar, fora da alçada dos tribunais portugueses (com tudo o que isto envolve de hábil contorno da lei), e, quando o barco é impedido de atracar em portos portugueses, logo se encontra o expediente de afinal 'há umas pílulas abortivas e amanhã no nosso site explicaremos tudos'.
Jogada inteligente. Entram os partidos, a esquerda regozija-se, a direita entra na dança e está o baile armado. Mediatização para que te quero...mediatização e folclore partidário num tema tão forte, tão delicado como este.
Seria preciso este espalhafato de ter a armada portuguesa a vigiar o barco? Alguém devia ter juízo. Por outro lado não acho necessário que venham de fora mulheres holandesas para supostamente nos fazerem sentir a oportunidade de uma discussão séria sobre este tema; esta discussão só está a servir os interesses partidários, transforma-se facilmente em bandeira política. Bah...

quando falta imaginação e sobra tempo

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Para alguém que se deu ao trabalhar de registar o profile de púrpura e outros e que decidiu comentar neste blog, pergunto se a imaginação não dá para mais e se o blog (blogs) que me escusarei de nomear (so far, eheh), não ocupam suficiente tempo.
O meu ego fica realmente inchado com tanta tentativa de me clonar, que me faz lembrar quanto inesquecível sou (eternamente agradecida), mas realmente, como já disse, não estou interessada..
eheheh...

desesperar de esperança

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Poderemos em consciência julgar as pessoas que, desesperadas de soluções inexistentes e sentidas na pele, ausentes de esperança, tentam tudo o que está ao seu alcance e fora dele para encontrar a saúde? ou a paz?...

Segunda-feira, Setembro 06, 2004

Ítaca

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Para Ítaca há mais do que o caminho para Ítaca. Há o chegar em cada momento da viagem, há o partir sem partir em cada imagem, há o espelho que o longe tece.


(Casimiro de Brito)

palavras inúteis

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Quando algo que vivemos ou a que assistimos se torna tão forte e arrebatador que nos explode por dentro é quase inútil escrever o que nos invade, como se as palavras fossem sempre escassas para representar o sentimento. No entanto existe a compulsão para escrever e desaguar sobre o papel, deixar que o sentir flua, até se esgotarem as palavras e a voz. No prazer como na dor, por vezes estranhamente ligados, como se fossem o reverso de uma só moeda, contrapartida um do outro. Haverá um preço a pagar pelo bom que nos acontece? Existirá a lei da compensação quando a dor se torna insuportável?
Como na tragédia de Março em Madrid comove no silêncio o som do telemóvel a tocar na mala de alguém que está morto, como um grito inútil, assim em Setembro em Beslan, enternece até que anestesie, a mãe que canta a canção de embalar para o filho deitado debaixo do lençol branco.
São pequenas as coisas que nos ficam para sempre gravadas onde mais dói. Talvez não esqueçamos tão depressa os números brutais e a crueldade sem nome, ou talvez sim, mas o que nos comoverá até ao esquecimento será aquele telemóvel a gritar na manhã de Madrid, aquela mãe a embalar, cantando, o filho morto em Beslan.

Sábado, Setembro 04, 2004

crianças de Beslan



Mother and Child
by Gustav Klimt


Quem me roubou o tempo que era um
Quem me roubou o tempo que era meu
O tempo todo inteiro que sorria
Onde o meu Eu foi mais limpo e verdadeiro
E onde por si mesmo o poema se escrevia

(Sophia)



Às crianças que em Beslan perderam a vida ou a inocência.

Quinta-feira, Setembro 02, 2004

Czeslaw Milosz

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Se depois de morrer for para o Céu, lá, terá de ser como aqui,
apenas hei-de livrar-me dos sentidos entorpecidos e dos ossos pesados.

Transformado em puro olhar, continuarei a absorver as proporções
do corpo humano, a cor dos lírios, a rua parisiense na madrugada de Junho.
Enfim, toda a inconcebível, a inconcebível pluralidade das coisas visíveis.



Czeslaw Milosz
(30/06/1911-15/08/2004)



Poeta de origem polaca, cidadão americano, ganhou o Nobel da Literatura em 1980. Chamavam-lhe o poeta da memória. Intensas memórias pessoais e políticas de uma vida que atravessou o séc. XX e que agora se transformou em puro olhar...

o barco do aborto

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A primeira vez que pensei ter ouvido a expressão, pensei, 'então o Barco do amor vem a Portugal?' E lembrei-me de como gostava de ver a série na tv, na altura em que a indefinida fronteira entre a miúda e a adolescente era curiosa e atrevida.
Irónica a associação que inevitavelmente se faz.

O tratamento que está a ser dado ao tema do aborto incomoda-me. Há muita demagogia, muito populismo à volta e o nome que alguém se lembrou de dar a esta clínica causa-me repugnância. Por outro lado, chamar-lhe poeticamente 'women on waves' soa a hipocrisia. Opto pelo cru e horrível nome de barco do aborto.
É profundamente desonesto associar-se o contra e o a favor ao partido A ou B, porque a questão não se esgota nessa bipolaridade, antes exige seriedade intelectual. Esta questão não deveria ser um combate político, mas puramente cívico. Com tanto folclore, tanto ruído de fundo que serve interesses partidários, afasta-se a possibilidade de diálogo construtivo e promovem-se apenas palavras de ordem, que são apenas isso, palavras de ordem, lugares comuns, banalidades.

Quarta-feira, Setembro 01, 2004

O rei de Ítaca

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O rei de Ítaca

A civilização em que estamos é tão errada que
Nela o pensamento se desligou da mão

Ulisses rei de Ítaca carpinteirou seu barco
E gabava-se também de saber conduzir
Num campo a direito o sulco do arado




(Sophia)

solidariedade-links

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Grande loja do queijo limiano

e

À rédea solta


obrigada pela solidariedade :)



Aos que acham que a história é estranha, peço que não generalizem, com a atitude pré-concebida que deve ser tudo mentira, afinal se há tanta charlatanice e a vida até está cara...Que cada um forme a sua opinião, não por 'achar que', mas porque tem dados para dar opinião. Tem que se dar o benefício da dúvida.
Eu ajudo a divulgar. Cada um agirá da forma que entender - ou emitirá opiniões baseadas em factos concretos e comprováveis ou remeter-se-à a um confortável 'eu acho que'.

Quanto aos 'anónimos' comentadores que desestabilizaram este espaço com desinformação e um baralhar para tornar a dar, espero sinceramente que nunca se vejam na situação de se verem obrigados a pedir desta forma a solidariedade pública e a expôr a sua intimidade para que pelo menos, alguém lhes dê o benefício da dúvida.
Obrigada.